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CÉLIO BRAGA:
CUIDADO COM A PINTURA
CELSO FIORAVANTE
Célio Braga: Cuidado com a Pintura
A exposição “Célio Braga: Cuidado com a Pintura” apresenta a produção recente do artista mineiro Célio Braga (Guimarânia, MG, 1963). São pinturas recentes, mas atemporais. São pequenos formatos, mas que crescem ao olhar do espectador, pois trabalham com nuances e detalhes, sugerem dúvidas e mistérios maiores. As pequenas pinturas de Célio Braga não cabem em si. Elas subvertem significantes e significados. Uma gota é mais que uma gota. Um cravo é mais que um cravo. Um círculo é mais que um círculo.
Guimarânia, Goiânia, Nova York, Amsterdã, São Paulo, Guimarânia... Sua pintura viaja dos grotões e veredas às metrópoles para tratar de questões que são individuais e universais, como a pele como simulacro da passagem do tempo e da persistência da memória, e o corpo atravessado por dilemas e sonhos.
Célio Braga prepara a sua tela. Pinta e repinta o linho ali quase branco, esticado, inerte, submisso, silencioso, passivo. Pequenos retalhos recortados em formas ora abstratas ora figurativas ocupam o espaço. São tecidos, pintados, colados, bordados, afogados em cera, lixados... Formas que lutam por um olhar que lhes dê vida no big bang daquele pequeno universo em ebulição, frágil e transitório. Célio Braga é o cavalo de suas pinturas. Ele está sendo usado por elas.
Distante anos-luz das modas estéticas, Braga tece sua produção com linguagens ancestrais, como o bordado, a escultura e a performance. No atelier, só com a sua arte, tinta e linhas escorrem como as lágrimas de uma vela que caminha em direção ao fim.
O artista pesca suas referências na arte popular, contemporânea e conceitual. O experimentalismo e a liberdade de Paul Klee, a força ética e autobiográfica de Louise Bourgeois, a política e a poética de Félix González-Torres, a coerência e o minimalismo de Agnes Martin, e a intensidade e a delicadeza de Leonilson são referências reconhecidas pelo artista, mas a fluidez de sua produção segue aberta a quem mais chegar, a todos que vejam a arte como uma forma de oração.
Celso Fioravante
A exposição “Célio Braga: Cuidado com a Pintura” apresenta a produção recente do artista mineiro Célio Braga (Guimarânia, MG, 1963). São pinturas recentes, mas atemporais. São pequenos formatos, mas que crescem ao olhar do espectador, pois trabalham com nuances e detalhes, sugerem dúvidas e mistérios maiores. As pequenas pinturas de Célio Braga não cabem em si. Elas subvertem significantes e significados. Uma gota é mais que uma gota. Um cravo é mais que um cravo. Um círculo é mais que um círculo.
Guimarânia, Goiânia, Nova York, Amsterdã, São Paulo, Guimarânia... Sua pintura viaja dos grotões e veredas às metrópoles para tratar de questões que são individuais e universais, como a pele como simulacro da passagem do tempo e da persistência da memória, e o corpo atravessado por dilemas e sonhos.
Célio Braga prepara a sua tela. Pinta e repinta o linho ali quase branco, esticado, inerte, submisso, silencioso, passivo. Pequenos retalhos recortados em formas ora abstratas ora figurativas ocupam o espaço. São tecidos, pintados, colados, bordados, afogados em cera, lixados... Formas que lutam por um olhar que lhes dê vida no big bang daquele pequeno universo em ebulição, frágil e transitório. Célio Braga é o cavalo de suas pinturas. Ele está sendo usado por elas.
Distante anos-luz das modas estéticas, Braga tece sua produção com linguagens ancestrais, como o bordado, a escultura e a performance. No atelier, só com a sua arte, tinta e linhas escorrem como as lágrimas de uma vela que caminha em direção ao fim.
O artista pesca suas referências na arte popular, contemporânea e conceitual. O experimentalismo e a liberdade de Paul Klee, a força ética e autobiográfica de Louise Bourgeois, a política e a poética de Félix González-Torres, a coerência e o minimalismo de Agnes Martin, e a intensidade e a delicadeza de Leonilson são referências reconhecidas pelo artista, mas a fluidez de sua produção segue aberta a quem mais chegar, a todos que vejam a arte como uma forma de oração.
Celso Fioravante